Bastidores

Detalhes que inspiraram cada capítulo.

O que restou de nós teve início em 2016, mas, depois de um longo hiato — que explico na aba “Sobre a autora” —, o livro foi retomado e completamente refeito.

No início de sua confecção, ele era uma história que também funcionava como um desabafo sobre a dor de perder alguém. Na época, o texto carregava uma profundidade muito intensa, que posteriormente foi adaptada para algo um pouco mais leve.

Curiosamente, foi após enfrentar outro luto que decidi voltar à escrita. Como já mencionado, possuo inúmeras obras iniciadas e ainda não finalizadas.
Havia outra história, que já estava 80% concluída, mas eu sentia que o Benjamin e a Stella precisavam ser os primeiros a serem apresentados ao mundo.

Em 2024, porém, o luto trouxe uma mensagem diferente: “você precisa fazer o que ama, precisa mostrar ao mundo suas artes, porque não sabemos o dia de amanhã.”
E assim eu fiz. Coincidência ou não, desde então passei a me encontrar em muitos aspectos da arte — na escrita, na criação e na imaginação. Até brinco, às vezes, dizendo que os astros parecem ter se alinhado desde que voltei a escrever e tomei a decisão de publicar.

O que restou de nós é um livro que tem o propósito de provocar diversas emoções no leitor: do riso ao choro, da compreensão ao surgimento de perguntas como: “Por que ela não faz assim?”
E apesar de abordar um tema profundo, a história também carrega uma certa leveza, pensada com cuidado para acolher aqueles que já passaram por sentimentos e sensações semelhantes.

• A cena do qualifying em Mônaco sob chuva foi inspirada no GP de Mônaco de 2022, que ficou conhecido como um dos mais caóticos dos últimos tempos devido à imprevisibilidade do clima. A pista escorregadia contribuiu para que vários pilotos tocassem o muro, e Mick Schumacher sofreu um acidente enorme, no qual o carro literalmente se partiu em duas partes, causando bandeira vermelha.
Obviamente, a cena foi adaptada e não seguiu fielmente todo o caos ocorrido no Grand Prix, mas a tensão talvez tenha sido bem semelhante.

• O personagem Benjamin não foi inspirado em apenas um piloto, mas em vários. Ele carrega o profissionalismo de Ayrton Senna, a inteligência estratégica de George Russell, a invencibilidade da Lewis Hamilton, a técnica agressiva de Max Verstappen e até o lado brincalhão e provocador de Lando Norris. No fim, ele acabou virando uma mistura de tudo aquilo que torna a Fórmula 1 tão fascinante.

• A cena em que Benjamin passa mal foi inspirada em um episódio real da Fórmula 1. Durante o GP de Singapura, George Russell sofreu com superaquecimento dentro do carro, causado pelo calor extremo e pela exigência física da corrida. No livro, adaptei essa ideia para algo emocional: Benjamin não sofre com o calor, mas tem uma crise de pânico, provocada pelo estresse acumulado com Henry e pela frustração de ficar de fora do qualifying.

• Em uma entrevista na história, perguntam ao Benjamin qual música ele escolheria para ser trilha sonora do seu Quali. Na vida real, muitos pilotos costumam citar artistas pop (Taylor Swift já apareceu em entrevistas desse tipo). No livro, porém, Benjamin menciona One Direction — não por gosto próprio, mas porque sabe que Stella é apaixonada por eles.

• A banda One Direction é mencionada muitas vezes no livro justamente por esse gosto de Stella. Directioner que fala, né?

Sobre os personagens

Stella Marino é a personagem principal. O livro não explora profundamente, mas desde muito pequena Stella conviveu com o luto. Perdeu a mãe aos três anos, vítima de um câncer, e, mais tarde, o pai, em decorrência de sequelas de um AVC. Essas experiências moldaram seu sonho de revolucionar a pesquisa e a medicina, movida pelo desejo de que outras famílias não precisem enfrentar o que ela enfrentou.
Após tantas perdas e desafios, Stella não abre mão de cuidar da própria saúde psicológica e chega a mencionar sua terapeuta em uma das páginas do livro.
Embora tenha desenvolvido certa frieza como forma de lidar com a vida e com a própria trajetória profissional, Stella é, na verdade, uma pessoa muito emotiva e valoriza permitir que os sentimentos a guiem quando necessário. Ela alterna entre momentos de maior racionalidade e impulsividade — o que brinca chamando de “vozes sábias vindas do córtex pré-frontal”.

Cristina Albuquerque é uma personagem secundária, mas de grande importância para a história. Melhor amiga de Stella, ela desempenha um papel essencial no desenrolar dos acontecimentos e nas transformações que ela e suas amigas vivenciam ao longo da narrativa.
Se não fosse por Cristina, talvez elas nunca tivessem a oportunidade de alterar aspectos significativos de suas vidas.
Conhecida carinhosamente como Cris, é uma cardiologista de excelência e uma das referências da área no país, motivo de orgulho para seus pais e para suas amigas.
Cristina conheceu Stella quando iniciou a faculdade. Na época, tia Sofia ofereceu um quarto disponível em sua residência para que Cris pudesse se sentir mais confortável e não precisasse morar em uma república. Desde então, as duas se tornaram inseparáveis.
Ela costuma brincar que possui duas “personalidades”: a profissional brilhante e a mulher determinada e segura de si.

Laura Santos é uma advogada que, ironicamente, não nutre grande paixão pelo Direito, não porque o considera ruim, mas porque seguiu esse caminho por pressão familiar. Seu verdadeiro sonho sempre foi trabalhar como estilista de sapatos, uma vocação completamente diferente da carreira que exerce. Talvez por isso seu guarda-roupa seja tão grande: comprar sapatos tornou-se uma forma de extravasar a frustração e alimentar o desejo que ainda carrega dentro de si.
Laura costuma ser calma na maior parte do tempo, mas possui picos de impulsividade bastante intensos, a ponto de suas amigas, às vezes, sentirem um leve receio quando essa faceta aparece.
Entre o grupo de amigas, ela costuma assumir o papel de “advogada do diabo”, incentivando as outras a viverem experiências interessantes — desde que permaneçam dentro dos limites da lei. Costuma brincar com situações cotidianas com humor ácido, como dizer que quem mistura vinho e cerveja está “inocente”, embora a ressaca possa ser comparada a uma pequena sentença de serviço comunitário.

Trilha Sonora

Desde o rascunho do livro até a criação das ilustrações, tudo foi feito com música tocando ao fundo. Tenho uma grande apreciação por essa forma de arte, apesar de não domina-la.
Durante o processo de escrita, algumas músicas foram surgindo e acabaram intensificando os sentimentos que foram sendo colocados nas linhas.

Uma delas é Something in the Heavens, de Lewis Capaldi, que, com sua melodia e letra, parece chegar muito próximo do sentimento que a personagem carrega ao perder o amor da sua vida — ou pelo menos foi assim que interpretei ao ouvi-la.

Outra que, nos quarenta e cinco do segundo tempo, veio para somar foi Coming Up Roses, de Harry Styles. No exato momento em que a escutei, não sabia se sorria ou chorava. Em minha interpretação, a letra trouxe uma ideia de reconexão de duas pessoas que talvez não consigam ficar juntas para sempre, mas reconhecem que o que viveram foi real e significativo — algo que dialoga muito com o que o livro propõe.

E não vamos esquecer de Half a Heart, do One Direction. Sim, aparentemente eu e Stella somos fãs (mas quem não é, né?).

Essa música aparece no livro de um jeito muito bonito, como uma homenagem e também um desabafo sobre a sensação de se sentir metade inteiro e metade vazio sem a pessoa que se ama.

No mais, há uma playlist no livro físico que reúne muitas músicas com letras incríveis e melodias que podem te acompanhar durante a leitura. Mas o livro não fala apenas sobre amor. Algumas dessas músicas também refletem algo que a história mostra muito bem: a importância da amizade nos momentos difíceis, aqueles em que, muitas vezes, só depois percebemos o quanto aquelas pessoas estiveram ali para nos sustentar.


Logo abaixo você encontra o QR Code que vai te direcionar para essa Playlist. Espero que você goste!